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identificação constelação familiar sistêmica

Na literatura sobre psicanálise, a identificação é definida como um “processo psicológico por meio do qual o sujeito assimila um aspecto, propriedade ou atributo de outro e é transformado, por completo ou parcialmente na imagem que o outro fornece” (Laplanche e Pontalis, 1973, p. 205; tradução nossa) ou um “ato por meio do qual um indivíduo se torna idêntico a outro ou pelo qual dois seres se tornam idênticos um ao outro (seja no pensamento ou na realidade, completa ou relativamente)” (Leland apud Laplanche e Pontalis, 1973, p.205; tradução nossa). É como se a criança mantivesse a memória da pessoa por meio da identificação com uma pessoa anterior, representando sua presença ou energia no sistema por meio de seu sofrimento.

Sonhos, algumas vezes, também não têm nada a ver com o sonhador, e que um sonho pode pertencer, na verdade, a outro membro da família do sonhador
Bert Hellinger

Pode se observar que “a pessoa afetada não mais se sente plena em si mesma, mas se identifica com outra pessoa. Identificar-se significa que você sente os sentimentos da pessoa com quem você se identifica, mas os sente como se eles fossem seus. Você não a considera uma entidade separada (…)” (Hellinger, 2001, p.118; tradução nossa). Também se pode observar que “sonhos, algumas vezes, também não têm nada a ver com o sonhador, e que um sonho pode pertencer, na verdade, a outro membro da família do sonhador” (Hellinger, 2001, p.435; tradução nossa). Razões possíveis para uma identificação são: a pessoa foi excluída do sistema ou a criança, que agora é o cliente, é designada para a expiação de uma violação no sistema ou de uma injustiça com um membro da geração mais jovem em nome da pessoa de uma geração anterior.

Geralmente essa pessoa não é conhecida pelo cliente ou existe na família somente como tabu ou segredo. “Você não tem de conhecer a pessoa com que se identifica. A compulsão pela identificação se origina no sistema, e ela funciona sem que se conheça a pessoa que se está representando” (Hellinger, 2001, p. 97; tradução nossa). Não são somente as criança, os futuros clientes, que vivenciam, nas suas percepções ou sofrimentos que “algo está errado”. Essas identificações, mesmo que não estejam formuladas como tais, podem ser percebidas por outras pessoas. Os clientes dizem que ser comparado a uma pessoa que foi excluída é depreciativo. “Você é igual à sua tia”. Se essa suposição está correta, então se pode entender por que alguns sentimentos não respondem a terapia. Eles, então, pertencem a outra pessoa e, como resultado, não podem ser mudados no cliente, e sim devem ser tratados no sistema.

O impacto de uma identificação, assim como o impacto de qualquer outro emaranhamento sistêmico, inclui eventos e emoções que evitam que o cliente viva a própria vida. Isso pode se manifestar como uma doença psicossomática ou um transtorno emocional, até mesmo como uma psicose (cf. Hellinger, 1994, p. 430), ou o estado que o cliente vivencia de não estar em sintonia com sua própria pessoa, que ele normalmente percebe.

Uma consequência maior da identificação é um rompimento de relacionamento, uma vez que um emaranhamento sistêmico e um movimento de amor interrompido afetam tanto a vontade como a habilidade de entrar e de manter um laço permanente com outra pessoa.

Eles descrevem isso com palavras como “é como se eu estivesse ao lado de mim mesmo” ou “eu simplesmente não consigo entender o que eu acabei de fazer”. Uma consequência maior da identificação é um rompimento de relacionamento, uma vez que um emaranhamento sistêmico e um movimento de amor interrompido afetam tanto a vontade como a habilidade de entrar e de manter um laço permanente com outra pessoa. “Todos os esforços para encontrar o que está errado falharão a menos que a identificação seja reconhecida e resolvida. É só então que um relacionamento novo e positivo pode começar. As pessoas que se identificam com os outros estão vivendo em um mundo alheio e não são mais capazes de responder como elas mesmas. Elas são estranhas a si mesmas, e não veem os seus parceiros como eles realmente são, e sim como estranhos” (Hellinger, 2001, p. 119; tradução nossa).

Com essa maneira de constelar, Hellinger oferece a oportunidade de reconhecer a pessoa com quem o cliente se identifica e solucionar a identificação. No caso de uma pessoa seguindo a outra, pede-se ao cliente que ele diga uma das frases de solução que claramente definem o emaranhamento em relação à pessoa em questão. É uma boa ideia “repetir as frases algumas vezes até que se reconheça o ser amado como uma pessoa individual e, sem prejuízo à profundidade do amor, como um ser separado e à parte. Se isso não acontecer, a simbiose e a identificação irão continuar (…)” (Hellinger, 2001, p.317; tradução nossa).

Fonte:
Trecho extraído do livro “O rio nunca olha para trás” – de Dra. Ursula Franke-Bryson (Citação permitida conforme Lei de Direitos Autorais: Lei Federal 9.610/1998 Artigo 46, VIII, primeira parte)

Gratidão
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