Disbiose intestinal – veja como ela pode estar afetando a sua vida

Doenças auto-imunes, infecções urinárias,  lúpus, artrite reumatoide, intestino irritável, depressão, epilepsia podem estar associadas a disbiose intestinal

A alimentação pode ser considerada como um dos fatores comportamentais que mais influencia a qualidade de vida das pessoas. Nossa conduta adequada diante da alimentação fez-se necessária, pois os hábitos alimentares e o estilo de vida, nos últimos 40 anos, passaram por diversas modificações, sobrecarregando os diferentes sistemas do organismo.

A ingestão do alimento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis para serem utilizados pelas células. Neste contexto, o intestinos são órgãos de vital importância no nosso corpo. Funcionam como filtros, capazes de permitir ou barrar a entrada de nutrientes necessários ao organismo e de substâncias prejudiciais para a nossa saúde. É preciso nutrir o organismo adequadamente, isto é, ter uma ingestão adequada de alimentos, em quantidade e qualidade, afim de que nosso organismo receba todos os nutrientes essenciais ao seu bom funcionamento e ainda garantir que estes alimentos sejam bem digeridos, absorvidos e utilizados. Este processo é fundamental para determinar o melhor estado físico, mental e emocional.

O trato gastrintestinal (TGI) abriga um superorganismo chamado microbiota intestinal (flora intestinal), que é conhecida por desempenhar um papel crucial na digestão e também no desenvolvimento de diversas doenças. O trato gastrintestinal humano contém mais de 10 trilhões de bactérias, abrangendo mais de 500 espécies diferentes. Uma das principais funções da mucosa intestinal é sua atividade de barreira, que impede as moléculas ou microrganismos antigênicos ou patógenos de entrarem na circulação sistêmica.

O intestino humano representa o maior órgão linfoide do corpo, desta forma ele é responsável por diversas reações imunológicas, devido a presença de anticorpos, como a imunoglobulina A secretora e outras várias células imunocompetentes. A integridade intestinal está ligada a um equilíbrio das bactérias intestinais e à nutrição saudável de enterócitos e colonócitos, que são células da mucosa intestinal.

Disbiose e o sistema imunologico

A presença destas bactérias é essencial para o metabolismo, a proteção contra agentes patogênicos e de maturação do sistema imunológico. Em contrapartida, o sistema imune determina a composição da microbiota. Composição microbiana alterada pela disbiose tem sido correlacionada com numerosas doenças em seres humanos, devido à redução da imunidade de acordo com artigo publicado no American Jourmal of Transplantation, por pesquisadores do Departamento de Medicina, da Universidade de Chicago.

Outro grupo de pesquisadores, da Escola de Medicina da Universidade de Keio em Tókio, relataram que as composição da microbiota intestinal desregulada ou disbiose, pode ser associada com as causas fundamentais da Doença Inflamatória do Intestino (DII) e que a depressão no sistema imunitário intrínseco é um efeito, não uma causa, da DII.
Se as paredes intestinais estiverem prejudicadas pode ocorrer um desequilíbrio entre as bactérias protetoras e agressoras do intestino, originando a disbiose intestinal, um distúrbio que pode acarretar , desconforto abdominal , inchaço abdominal , sobrepeso, desnutrição e até o surgimento de outras doenças mais graves, devido a alterações do sistema imunológico, como:

  • câncer
  • esofagite
  • infecções urinárias
  • doenças auto imunes como tireoidite de Haschimoto , lúpus, artrite reumatoide, doença celíaca
  • depressão, ansiedade, síndrome do Pânico e outros transtornos psíquicos tendo em vista que 90% da serotonina e 50% da dopamina do organismo são produzidas pelo intestino e se comunica com o cérebro pelo sistema nervoso entérico.
  • AVC e epilepsia

Entre as possíveis causas da disbiose estão

  • uso indiscriminado de antibióticos, que matam tanto as bactérias boas assim como as nocivas
  • uso de anti-inflamatórios hormonais e não-hormonais
  • infecções urinárias
  • abuso de laxantes, o consumo excessivo de alimentos processados em detrimento de alimentos crus
  • a idade
  • o estresse
  • disponibilidade de material fermentável
  • o pH intestinal
  • estado imunitário do hospedeiro
  • alérgenos alimentares
  • uso crônico de inibidores da bomba de prótons – alteram o pH do estaomago o qual tem que ser ácido. Exemplo: omeprazol
  • açucares , frutose em excesso e farinha de trigo

Pode ainda estar associada a outros fatores alimentares, dieta com excesso de proteína, gordura ou carboidrato (uma grande ingestão de carboidrato leva a maior fermentação pelas bactérias no intestino grosso), ou com baixo teor de fibras ou ainda carência de vitaminas. A disbiose inibe a formação de vitaminas produzidas no intestino, como a B12 e permite o crescimento de fungos e bactérias capazes de afetar o funcionamento do organismo, alterando a microbiota intestinal.

Tratamento da Disbiose

O tratamento da disbiose abrange duas linhas, uma dietética, por meio da ingestão de alimentos funcionais, que beneficiam a constituição da microbiota intestinal, e outra usando medicamentos. Os alimentos funcionais que estão relacionados à melhora e à manutenção da microbiota são os probióticos, os prebióticos e os simbióticos.

Evidências têm demonstrado que os alimentos probióticos e prebióticos modulam positivamente a composição e a atividade da microbiota intestinal, com consequentes efeitos benéficos sobre a saúde, como o restabelecimento do equilíbrio destes microrganismos, estímulo ao sistema imune, com fortes indícios de que inibam, ainda, atividade carcinogênica.

Os probióticos atuam no organismo principalmente ao inibir a colonização intestinal por bactérias patogênicas, podendo reduzi-las por produção de substâncias bactericidas, competição por nutrientes e por adesão à mucosa. Ao citar os mecanismos de ação das bactérias probióticas, pode-se destacar também, o estímulo ao sistema imune, que ocorre por meio do aumento dos níveis de anticorpos e ativação dos macrófagos, proliferação de células T e produção de interferon.

Os produtos com probióticos, que resistem ao processo de digestão e chegam intactos ao intestino, onde atuam de maneira positiva podem ajudar a reduzir os gases, intestino preguiçoso ou diarreia. Consumidos com regularidade e em doses adequadas, eles ainda reforçam o sistema imunitário, aumentam a absorção do cálcio, reduzem o colesterol ruim e protegem o estômago.

Entre os efeitos benéficos que os probióticos proporcionam constam o antagonismo aos agentes patogênicos intestinais, o efeito de barreira da microbiota e a modulação das funções imunes. Estas bactérias estabilizam a microbiota intestinal normal, sendo fundamental para o bom funcionamento do sistema imunológico, melhorando as funções metabólicas do organismo e prevenindo o surgimento de doenças.

Estudos indicam que eles ainda podem além de beneficiar o sistema imunitário, aliviar dores musculares, problemas de estômago, doenças crônicas, entre outros. Especialistas ainda recomendam seu consumo para auxiliar o processo de absorção de nutrientes.

É interessante que você converse com seu médico sobre o uso de probióticos ao usar algum antibiótico. Os antibióticos, além de matarem as bactérias que estão causando infecções no seu corpo, acabam também matando as bactérias benéficas que vivem no seu intestino, deixando o seu corpo mais susceptível a ataques de organismos como o fungo da Candida, que pode crescer nos intestinos, boca, vagina, pulmões, ou debaixo das unhas. Um bom suplemento de probióticos nesse caso ajudará com a recuperação da flora intestinal.

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Referências:
Texto adaptado do site http://www.robertofrancodoamaral.com.br.

Gratidão!
Equipe Villa do Bem


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